CADÊ?

fevereiro 02, 2009

Reclame


Publicidade para a cadeia italiana Mondo Pasta, extraído do blog Museu da Propaganda.

Obama e Mad

Obama, depois de ter sido transformado em personagem da revista Spider-man, foi alvo de sátira da Mad, como se vê. O desespero de Obama, à frente de mesa com jornais com notícias sobre a quebra da bolsa e das montadoras, com relatório confidencial sobre o Irã e outro sobre segurança interna, como toda sátira, é exagerado.

fevereiro 01, 2009

John Updike pelo escritor inglês Ian McEwan

Foto de autoria não identificada.

O jornal Folha de São Paulo publicou texto de Ian McEwan sobre John Updike, falecido na semana passada, aos 76 anos, consumido por um câncer no pulmão.
Vale a pena lê-lo, com tradução de Clara Allain (veja-o aqui).

Árvore de Fumaça - 1º Capítulo

Ilustração: Joel Ladner


Hoje, às três da madrugada, mataram o presidente Kennedy. O marinheiro Houston e os outros dois recrutas ainda dormiam quando correram pelo mundo as primeiras notícias. Havia um pequeno bar na ilha, um pardieiro com enormes ventiladores no teto, um balcão e uma máquina de pinball; os dois fuzileiros que tocavam o negócio foram acordá-los para contar o que sucedera ao presidente. Então se sentaram com os três marujos nos beliches da cabana Quonset reservada para militares em trânsito e ficaram tomando cerveja e observando o ar-condicionado a gotejar água numa lata de café. A Rádio das Forças Armadas da baía de Subic passou a noite no ar, divulgando boletins sobre o inconcebível assassinato.

Agora, no fim da manhã, ao penetrar a selva de Ilha Grande empunhando uma espingarda calibre 22 emprestada, o marinheiro-aprendiz William Houston Jr. começava a se sentir sóbrio outra vez. Diziam que uns javalis selvagens vagavam naquela reserva militar insular que era tudo o que ele conhecia das Filipinas até então. Não sabia o que sentir por aquele país. Só queria caçar um pouco na mata. Diziam que lá havia javalis.

Ia pisando com cuidado, pensando nas cobras e tentando não fazer barulho, pois queria ouvir os javalis antes que o atacassem. Sabia que estava uma pilha de nervos. De toda parte chegavam dezenas de milhares de ruídos silvestres, os gritos das gaivotas e o distante rumor das ondas. Se ele parasse um minuto para escutar, chegaria a detectar a pulsação abafada no calor da própria carne e o ranger do suor no ouvido. Se ficasse imóvel por dois segundos, os insetos o encontrariam e se poriam a zunir junto à sua cabeça.

O marinheiro Houston apoiou a espingarda numa pequena bananeira, tirou a faixa da testa, torceu-a, enxugou o rosto e descansou um pouco, enxotando os mosquitos com o pano e coçando o saco distraidamente. Ali pero, uma gaivota parecia brigar consigo mesma, uma série de ganidos de protesto interrompidos por contraditórios gritos mais graves que soavam como Rá! Rá! Rá! E algo que passou de uma árvore para outra lhe chamou a atenção. Com o olhar fixo nos galhos da árvore, uma seringueira, Houston estendeu o braço para alcançar a espingarda. A coisa se mexeu outra vez. Então ele viu que era uma espécie de macaco não muito maior do que um chihuahua. Não chegava a ser um javali, mas até que valia a pena vê-lo, agarrado ao tronco da árvore pela mão esquerda e os dois pés, cavando a cortiça fina com ar de miúda e exasperada pressa. O marinheiro Houston enquadrou o magro dorso do animal na mira da espingarda. Ergueu o cano alguns graus, apontando para a cabeça do macaco. Sem pensar em absolutamente nada, puxou o gatilho.

O bichinho jogou-se contra a árvore, braços e pernas estirados enfaticamente, e a seguir, abraçando o próprio corpo como se quisesse coçar as costas, caiu no chão. O marinheiro Houston ficou horrorizado com as convulsões que presenciou. Apoiando o braço no chão, o macaco ergueu o corpo e sentou contra o tronco da árvore, as pernas bem esticadas, como uma pessoa a descansar de um trabalho pesado.

Houston avançou alguns passos e, a poucos metros de distância, viu que o pêlo do macaco brilhava muito e que o movimento das folhas, no alto, dava-lhe uma coloração castanho-avermelhada na sombra e loira na luz. O animal olhava de um lado para outro, a respiração rápida, custosa, a barriga a se dilatar tremendamente a cada alento, qual uma bexiga. O tiro tinha sido baixo, saíra pelo abdômen.

O marinheiro Houston sentiu a própria barriga partir-se ao meio. "Caramba!", gritou para o macaco, como se isso melhorasse o estado constrangedor e odioso do animal. Sentiu que sua cabeça ia estourar se a manhã continuasse a arder na selva à sua volta, se as gaivotas insistissem em gritar, se o macaco seguisse olhando para os lados com cautela, virando a cabeça e os olhos pretos como uma pessoa interessada no desenrolar de uma conversa
qualquer, de uma discussão qualquer, de uma briga qualquer que a selva ou a manhã-ou o momento-estava tendo consigo. Aproximando-se, largou a espingarda no chão e pegou o animalzinho nas mãos, uma a lhe segurar o traseiro; a outra, a cabeça. Fascinado, mas logo com repugnância, percebeu que o macaco estava chorando. A respiração lhe saía aos soluços, e as lágrimas lhe escorriam dos olhos quando ele piscava. Olhou para lá e para cá, mostrando-se tão pouco interessado pelo marinheiro Houston como por tudo quanto via. "Ei", disse o rapaz, mas o macaco não deu sinal de ouvi-lo.

O coração do bichinho aninhado em suas mãos parou de bater. Ele chegou a sacudi-lo, mas sabia que era inútil. Sentiu-se culpado de tudo e, sem ninguém por perto para se inteirar do que quer que fosse, chorou como criança. Tinha dezoito anos.

Ao voltar para o bar à beira-mar, Houston viu que um cardume de águasvivas tingia de violeta a praia cinzenta, centenas delas, cada qual mais ou menos do tamanho da mão de um homem, ondulando-se, translúcidas sob o sol. O pequeno porto da ilha estava deserto. Nenhum barco ia para lá, a não ser a balsa da base naval do outro lado da baía de Subic. Poucos metros mais adiante, erguia-se um par de choupanas de bambu diante da faixa de areia sob árvores magníficas, esporádicas florzinhas roxas sobre os telhados. De dentro de uma delas chegavam os gemidos de um casal fazendo amor, uma puta, imaginou Houston, e um marinheiro. Acocorado na sombra, ele ficou escutando até que os dois parassem de rir, parassem de respirar; então um lagarto começou a gargantear no beiral da choupana: um breve trinado anunciativo e, a seguir, uma série de ásperas risadinhas entrecortadas-tchec-co; tchec-co; tchec-co...

Ao cabo de algum tempo, o homem saiu, um quarentão com corte de cabelo militar, toalha enrolada na cintura e um cigarro preso entre os dentes; e lá ficou, imóvel, segurando a toalha na barriga, os olhos voltados para uma coisa próxima, mas invisível, e a oscilar. Com certeza um oficial. Segurando o cigarro com o polegar e o indicador, deu uma tragada, e uma névoa lhe envolveu o rosto.
"Mais uma missão cumprida."
A porta da choupana vizinha se abriu, e uma filipina nua, a mão no sexo, disse: "Ele não gosta da coisa".
O oficial gritou: "Ei, Lucky".
Um asiático baixinho apareceu à porta, estava fardado.
"Você negou fogo?"
O homem respondeu: "Isso dá azar".
"Carma", corrigiu o outro.
"Pode ser", disse o rapazinho.
O oficial se dirigiu a Houston: "Topa uma cerveja?".

Houston queria não estar lá, mas só então percebeu que se esquecera de ir embora, e agora o homem estava falando com ele. Com a mão livre, o oficial jogou fora o cigarro e empurrou a toalha para o lado. Disse-lhe-enquanto soltava quase em linha reta um jorro que espumou na terra, destruindo a bituca-"Se você gosta do que está vendo, é só dizer".

Sentindo-se tolo, Houston entrou no bar. Lá dentro, duas jovens filipinas com vestidos de estampas alegres estavam jogando fliperama e falando tão depressa, enquanto as pás enormes giravam no alto, que ele quase perdeu o equilíbrio. Sam, um dos fuzileiros, estava atrás do balcão. "Cala a boca, cala a boca", disse. Ergueu a mão, que segurava uma espátula.

"E eu disse alguma coisa?"
"Espera." Sam aproximou a cabeça do rádio e, como um cego, concentrou-se no som. "Pegaram o cara."
"Foi o que disseram antes do café da manhã. Eu já estou sabendo."
"Não é só isso."
"Ok", disse Houston.

Tomou água gelada e ficou escutando o rádio, mas, naquele momento, estava com tanta dor de cabeça que não conseguia entender uma palavra. Pouco depois, o oficial chegou com uma vistosa camisa havaiana, acompanhado do jovem asiático. "Coronel, já fisgaram o homem", anunciou Sam. "O nome dele é Oswald."
O coronel disse: "Que porra de nome é esse?"-aparentemente tão indignado com o nome do assassino quanto com sua atrocidade.
"Um bom filho-da-puta", rosnou Sam.
"Filho-da-puta mesmo", concordou o outro. "Eu quero é que cortem o saco dele. Quero que recheiem o rabo dele de chumbo." Enxugando as lágrimas sem constrangimento, disse: "Oswald é o nome ou o sobrenome?".
Houston pensou que primeiro tinha visto o oficial mijar no chão, agora o via chorar.
Sam se voltou para o asiático. "Senhor, a gente aqui é muito hospitaleira.
Mas geralmente não serve militares filipinos."
"Lucky é do Vietnã", informou o coronel.
"Do Vietnã. Se perdeu?"
"Não, não me perdi", disse o rapaz.
"Esse cara já é piloto", explicou o coronel. "Capitão da Força Aérea do Vietnã do Sul."

Sam perguntou ao jovem capitão: "É mesmo? Por acaso vocês estão em guerra por lá? Guerra?-bada-bada-bada". E, empunhando uma submetralhadora invisível, agitou as mãos em uníssono. "Estão ou não estão?"
O capitão desviou a vista do norte-americano, formulou as frases mentalmente, ensaiou-as, tornou a olhar para ele e disse: "Não sei se estamos em guerra. Muita gente morreu".
"É isso aí", concordou o coronel. "Isso é que conta."
"O que você está fazendo aqui?"
"Treinamento com helicópteros."
"Você não tem idade nem para pilotar velocípede", riu-se Sam. "Quantos anos?"
"Vinte e dois."
"Eu vou servir uma cerveja para o japoronga aí. Gosta da San Miguel? Se ofendeu porque te chamei de japoronga? É um vício que eu tenho."
"Chama ele de Lucky", disse o coronel. "O cara está pagando, Lucky. O que é que vai?"
O rapaz enrugou a testa e, depois de deliberar intimamente, cheio de mistério, pediu: "Uma Lucky Lager".
"E que cigarro você fuma?", perguntou o coronel.
"Eu gosto do Lucky Strike", disse o asiático, e todos riram.
Súbito, Sam olhou para o jovem marinheiro Houston como se o estivesse reconhecendo e perguntou: "Cadê a minha espingarda?".

Houston demorou um instante para compreender as palavras. Mas logo disse: "Merda".
"Cadê?" Sam não parecia particularmente interessado-apenas curioso.
"Merda", repetiu o marinheiro Houston. "Vou buscar."

Teve de voltar à selva. Tanto calor e umidade quanto antes. Os mesmos animais faziam o mesmo barulho, e a situação seguia igualmente terrível, ele estava longe dos lugares da sua memória, e a marinha ainda seria dona dele durante dois anos, e o presidente, o presidente do seu país continuava morto-mas o macaco desaparecera. A espingarda de Sam estava jogada no mato, tal como ele a tinha deixado, e não havia sinal do macaco. Um bicho o levara.

Houston temia vê-lo novamente, de modo que foi com alívio que voltou para o bar sem ter de olhar para o que fizera. No entanto, sabia, sem muita aflição nem mal-estar, que nunca mais iria se livrar daquela imagem. O marinheiro Houston foi promovido uma vez e depois rebaixado. Viu de relance algumas grandes capitais do Sudeste asiático, percorreu ruas quentes, abafadas, nas quais as lanternas oscilavam ao sabor da brisa rançosa, mas nunca ficou em terra o tempo suficiente para se desacostumar do balanço do navio, somente o necessário para ficar confuso, para ver caras vibrantes e ouvir risos sofridos. Terminada a viagem, alistava-se em outra, encantado sobretudo com o poder de criar seu destino com uma mera assinatura. Houston tinha dois irmãos mais jovens. James, o mais próximo dele em idade, alistou-se na infantaria e foi mandado para o Vietnã; uma noite, pouco antes de terminar sua segunda viagem na marinha, Houston tomou um trem da base naval de Yokosuka, no Japão, para a cidade de Yokohama, onde tinha combinado de se encontrar com James, no Peanut Bar. Foi em 1967, mais de três anos depois do assassinato de John Kennedy.

No vagão, sentiu-se um verdadeiro gigante, olhando por cima das cabeças de cabelo preto como breu. Os pequeninos passageiros japoneses o encararam sem alegria, sem dó, sem vergonha, até que ele sentisse como se lhe estivessem torcendo o pescoço. Desembarcou e tomou um caminho reto, no chuvisco noturno, acompanhando os molhados trilhos do bonde até o Peanut Bar.

Estava ansioso por dizer alguma coisa em inglês. O Peanut Bar era grande e estava lotado de marujos e desleixados tripulanes da marinha mercante. As vozes eram densas em sua cabeça; a fumaça, densa em seus pulmões. Avistou James perto do palco e foi ter com ele, a mão estendida para um aperto. "Vou embora de Yokosuka, cara! Volto a embarcar!", foi a primeira coisa que disse.

O conjunto musical abafou as palavras do irmão mais velho-um quarteto japonês de imitadores dos Beatles, todos de indumentária branquíssima, com franja. James, à paisana, estava sentado a uma mesinha, olhando para eles, alheio a tudo que não fosse aquele espetáculo, e Bill jogou um amendoim na boca.

James apontou para os músicos. "Que coisa mais ridícula." Teve de gritar para ser ouvido, ainda que mal.
"O que você queria? Isto aqui não é Phoenix."
"Quase tão ridículo quanto você vestido de marinheiro."
"Eles me dispensaram há dois anos, e eu me realistei. Sei lá-resolvi me realistar."
"Estava bêbado?"
"É, completamente bêbado."

Bill Houston ficou surpreso ao ver que o irmão já não era um garotinho. Usava o cabelo cortado rente, coisa que tornava seu maxilar mais largo e forte, e mantinha o corpo empinado, quase sem se mexer. Mesmo à paisana, era um soldado.

Pediram canecos de chope e concordaram que, fora certas coisas esquisitas, os dois gostavam do Japão-muito embora, até então, James tivesse passado seis horas no país, entre um vôo e outro, e na manhã seguinte fosse tomar o avião para o Vietnã-ou, pelo menos, gostavam dos japoneses. "Vou te contar", disse Bill quando o conjunto fez uma pausa e um pôde ouvir o outro, "os japas deixaram isto aqui uma jóia. Mas lá nos trópicos, cara, é uma meleca. As pessoas têm merda na cabeça."
"Foi o que me disseram. Vou ver."
"E a guerra?"
"O que tem a guerra?"
"O que eles dizem?"
"Em geral, dizem que a gente fica dando tiro em árvores, e as árvores atiram de volta."
"Mas, sério. Aquilo lá é foda, não é?"
"Isso eu só vou saber quando estiver lá."
"Está com medo?"
"No treinamento, eu vi um cara acertar outro cara sem querer."
"Verdade?"
"Na bunda, dá para acreditar? Foi um acidente."
Bill Houston disse: "Eu vi um cara matar outro em Honolulu".
"Como, num combate?"
"Não, é que o filho-da-puta estava devendo uma grana para um outro
filho-da-puta."
"Onde foi, num bar?"
"Não. Que bar o quê. O cara deu a volta na casa do outro, chegou no fundo e gritou para ele aparecer na janela. A gente estava passando por ali e ele me disse: 'Espera aí, eu preciso acertar uma dívida com aquele pilantra'. Eles conversaram um pouco e então o cara que estava comigo meteu bala no da casa. Encostou a pistola na tela da janela, cara, e pá, assim, de uma vez. Uma 45 automática. O sujeito caiu de costas dentro do quarto."
"Está brincando."
"Não estou, não."
"Sério mesmo? Você viu?"
"A gente saiu para dar uma volta. Eu não imaginei que ele fosse apagar alguém."
"O que você fez?"
"Só faltei cagar nas calças. Ele virou, guardou a pistola debaixo da camisa e disse: 'Vem, vamos tomar uma'. Como se não tivesse acontecido nada."
"E o que você disse?"
"Achei melhor nem tocar no assunto."
"Sei. Achou melhor. O que você disse, porra?"
"Ah, o problema é que eu não sabia o que ele achava de me ter por testemunha. Foi por isso que perdi o embarque. Ele ia no nosso navio. Se eu tivesse embarcado com aquele cara a bordo, ia passar um mês e meio sem poder fecharos olhos."

Enquanto bebiam de seus canecos, os irmãos se puseram a vasculhar a mente em busca de um assunto sobre o qual conversar.
"Quando aquele cara levou o tiro na bunda", disse James, "entrou em choque imediatamente."
"Porra. Quantos anos você tem?"
"Eu?"
"É."
"Quase dezoito."
"O exército deixou você se alistar só com dezessete anos?"
"Não. Eu menti."
"Não está com medo?"
"Estou. Não o tempo todo."
"Não o tempo todo?"
"Nunca vi um combate. Quero ver a coisa de verdade, a merda de verdade. Estou muito a fim."
"Seu porra-louca de merda."
O conjunto voltou a tocar, começando com um número dos Kinks intitulado "You Really Got Me":
You really got me...
You really got me...
You really got me...

Os dois irmãos não tardaram a brigar por alguma coisa sem importância, e Bill Houston entornou o caneco de chope no colo de uma pessoa sentada à mesa vizinha-uma japonesinha que encolheu os ombros e fez uma cara triste e humilhada. Estava em companhia de uma amiga e também de dois americanos, dois rapazinhos que não souberam como reagir.

Enquanto a bebida escorria pela borda da mesa, James tentava desajeitadamente endireitar o caneco vazio, dizendo: "Isso acontece às vezes. Acontece". A moça não fez um único movimento para se secar. Ficou olhando para o colo.
"O que é que há com a gente afinal?", perguntou James ao irmão, "será que a gente pirou de vez? Sempre que a gente se junta acontece uma coisa ruim."
"Eu sei."
"Uma cagada."
"É, só cagada mesmo. Porque a gente é da mesma família."
"Do mesmo sangue."
"Essa bosta não me interessa mais."
"Deve interessar um pouco", insistiu James, "do contrário, por que você ia fazer essa puta viagem para se encontrar comigo em Yokohama?"
"É", concordou Bill, "no Peanut Bar."
"No Peanut Bar!"
"E por que eu perdi o meu navio?"
"Perdeu?"
"Ele ainda deve estar lá. Mas tomara que já tenha zarpado."
Bill Houston sentiu os olhos se encherem de lágrimas, sufocado por uma súbita emoção com a vida e com aquele país em que todo o mundo dirigia à esquerda.
James disse: "Eu nunca gostei de você".
"Eu sei. Eu também não."
"Eu também não."
"Sempre te achei um imbecil filho-da-puta", disse Bill.
"E eu sempre te detestei", rebateu seu irmão.
"Puxa, desculpa", pediu Bill Houston à japonesa. Tirou uma nota da carteira e jogou-a na mesa molhada, de cem ienes ou de mil, não conseguia ver.
"É o meu último ano na marinha", explicou à moça. Teria lhe dado mais dinheiro, mas estava com a carteira vazia. "Eu atravessei esse oceano e morri. Eles podem muito bem levar os meus ossos. Estou completamente diferente."

Naquela tarde de novembro, no dia seguinte ao do assassinato de John Kennedy, o capitão Nguyen Minh, o jovem piloto da Força Aérea do Vietnã, mergulhou de máscara e snorkel a pouca distância da praia de Ilha Grande. Era a sua nova paixão. A experiência se parecia com a que devia ser a de um pássaro no ar: planar sobre uma paisagem, impelido pela ação de seus próprios membros, voar de verdade, coisa bem diferente de pilotar uma aeronave. Os pés-depato deram-lhe um grande impulso quando ele deslizou acima de um enorme cardume de peixes-papagaio que se alimentava num recife, a multidão de pequenos bicos a tamborilar no coral feito um aguaceiro. Os homens da marinha norte-americana gostavam de scuba e mergulho e haviam danificado todo o coral, tornando os peixes tão ariscos que o cardume desapareceu num piscar de olhos quando ele se aproximou.

Minh não era um grande nadador e, sem os outros por perto, pôde se entregar ao medo que deveras sentia. Tinha passado toda a noite anterior com a prostituta que o coronel fizera questão de pagar. A garota dormiu no chão; ele, na cama. Não a quisera. Não confiava muito nas filipinas.

Então, no fim da manhã daquele dia, foram ao bar e souberam do assassinato do presidente dos Estados Unidos, John Fitzgerald Kennedy. As duas filipinas ainda estavam com eles, cada uma delas agarrada a um dos poderosos braços do coronel, como que tentando prendê-lo à terra até que conseguisse controlar a surpresa e a dor. Passaram toda a manhã a uma mesa, escutando os noticiários. "Pelo amor de Deus", dizia o coronel. "Pelo amor de Deus." À tarde, ele se animou e tomou muita cerveja. Minh procurou não exagerar na bebida, mas quis ser educado e acabou ficando bem tonto. As garotas se foram, retornaram, o ventilador a girar no teto. Um recruta da marinha muito jovem juntou-se a eles, e alguém perguntou a Minh se era verdade que uma guerra estava sendo travada em algum lugar no Vietnã.

Naquela noite, o coronel quis trocar as garotas, e Minh decidiu lhe fazer companhia, como na véspera, só para deixá-lo satisfeito e mostrar que estava sinceramente agradecido. Em todo caso, a segunda garota era a sua preferida. Mais bonita aos seus olhos e falava melhor o inglês. Mas pediu para deixar o arcondicionado ligado. Ele preferia desligado. Não conseguia ouvir as coisas com o ar-condicionado funcionando. Gostava de janelas escancaradas. Gostava do barulho dos insetos batendo na tela. Não havia telas assim na casa de sua família no Delta do Mekong, nem mesmo na casa do tio em Saigon. "O que você quer?", perguntou a moça. Tratava-o com muito desprezo.
"Sei lá. Tira a roupa."

Eles se despiram e ficaram deitados lado a lado na cama de casal, no escuro, só isso. Minh ouviu um marinheiro americano, algumas portas mais adiante, conversando em voz alta com um amigo, talvez contando um caso. Não conseguiu entender uma palavra, embora considerasse seu inglês muito bom.
"O do coronel é bem grande." A garota lhe estava apalpando o pênis. "Ele é seu amigo?"
Minh respondeu: "Sei lá".
"Não sabe se ele é seu amigo. Por que está com ele?"
"Sei lá."
"Quando você o conheceu?"
"Há uma semana ou duas."
"Quem é ele?", quis saber a moça.
Minh disse: "Sei lá". Abraçou-a para que ela parasse de lhe tocar o sexo.
"Você só quer corpo-corpo?"
"O que é isso?"
"Só corpo-corpo." A garota se levantou e foi fechar a janela. Passou a palma da mão no ar-condicionado, mas não tocou nos botões. "Me dá um
cigarro", pediu.
"Não. Eu não tenho."
Ela pôs o vestido, calçou as sandálias. Não usava roupa de baixo. "Me dá um trocado."
"O que quer dizer isso?"
"O que quer dizer isso?", repetiu a garota. "O que quer dizer isso? Me dá um trocado. Me dá um trocado."
"É dinheiro?", perguntou Minh. "Quanto?"
"Me dá um trocado", insistiu ela. "Quero ver se ele me vende cigarro. Quero dois maços-um para mim e um para a minha prima. Dois maços."
"Pede para o coronel."
"Um Winston. Um Lucky Strike."
"Com licença. Hoje está fazendo frio", disse ele. Levantou-se e se vestiu. Saiu à varanda. Ouviu às suas costas o barulhinho da moça lá dentro, às voltas com a bolsa, colocando-a na mesa. Ela uniu as mãos, esfregou-as, e um perfume saiu pela janela aberta, pairou no ar, e Minh o inalou. Sentiu um zumbido no ouvido, as lágrimas lhe turvaram a vista. Ele se livrou de um pigarro denso, inclinou a cabeça e escarrou entre os pés. Estava com saudade de sua terra.

Quando se alistou na força aérea e foi logo transferido a Da Nang para o treinamento de oficial, com apenas dezessete anos, passou várias semanas chorando toda noite na cama. Agora fazia quase três anos que pilotava caças, desde os dezenove. Dois meses antes, completara vinte e dois, e podia esperar prosseguir com as missões de vôo até que uma delas o matasse. Mais tarde, estava na varanda, sentado numa cadeira de lona, o corpo inclinado, os antebraços apoiados nos joelhos, fumando-na verdade, tinha um maço de Lucky Strike -, quando o coronel voltou da boate, abraçando as duas garotas. A acompanhante de Minh trazia um maço na mão e o agitava alegremente.

"Quer dizer que hoje você foi explorar o fundo do mar?"
Sem entender bem a pergunta, Minh respondeu: "É".
"Já entrou num daqueles túneis?", perguntou o coronel.
"Que é isso?-túneis."
"Túneis", disse o coronel. "O Vietnã está coalhado de túneis. Já entrou num deles?"
"Ainda não. Acho que não."
"Nem eu, meu filho", disse o coronel. "Queria saber o que tem dentro."
"Eu não sei."
"Ninguém sabe."
"Os comunas usam os túneis", disse Minh. "O vietminh."
Então o coronel voltou a lamentar o presidente morto, pois disse: "Este mundo cospe fora um homem tão maravilhoso como se fosse veneno". Minh tinha notado que era possível passar muito tempo conversando com o coronel sem perceber que ele estava bêbado.

Conhecera-o poucos dias antes, à entrada do campo de manutenção de helicópteros na base de Subic e, desde então, os dois passaram a se encontrar continuamente. Ninguém lhe apresentou o coronel-o próprio coronel se apresentou -, e parecia não ter nenhum vínculo oficial com ele. Estavam alojados com dezenas de oficiais em trânsito no quartel de um complexo originalmente construído, mas logo abandonado, segundo o coronel, pela Agência Central de Inteligência norte-americana. Minh sabia que valia a pena associar-se a ele. Tinha o costume de detectar as situações, as pessoas, como sorte ou azar. Bebia Lucky Lager, fumava Lucky Strike. O coronel o apelidara de "Lucky". "John Kennedy era um belo homem", disse o coronel. "Foi isso que acabou com ele."


Fonte: UOL Entretenimento.

Árvore de Fumaça


Denis Johnson tem o seu Árvore de Fumaça, com tradução de Luiz Antônio de Araújo, lançado pela Companhia das Letras. O romance, vencedor do National Book Award de 2007, prêmio literário estadunidense, narra 7 anos da Guerra do Vietnã - de 1963, quando assassinado o presidente Kennedy, até 1970, com a retirada das tropas americanas do país asiático.
Eis a resenha:
Essa é a história de William “Skip” Sands.Aprendiz de agente duplo, ele é sobrinho do coronel F.X.Sands,veterano da
inteligência que o recruta nas Filipinas para trabalhar em operações de terrorismo psicológico contra os vietcongues. A missão de Skip é produzir falsos fragmentos de comunicação ianque, e simular que foram interceptados pelo inimigo, enlouquecendo assim os comunistas.
A Operação Árvore de Fumaça conduzirá Skip a um labirinto vertiginoso de túneis minados e traições, numa guerra em que a fronteira entre a desinformação e a mentira já não existe mais.Vivendo sob a identidade de William Benét, pesquisador de folclore local, canadense como sua amada, a enfermeira Kathy Jones, Skip tenta parecer o “Americano tranqüilo”,personagem
de Graham Greene, mas a guerra é feita de “soldados que morrem versus os teóricos, os dogmáticos e os generais”, e a prosa de Denis Johnson é feita também da vida estóica e banal dos primeiros.
Diz o ditado vietnamita que “a bigorna dura mais do que o martelo”, e, depois da derrota dos Estados Unidos, companhamos tanto a decadência do retorno à América como a busca insana do sargento Jimmy Storm (“dinky dau”, louco), que se recusa a admitir a morte de seu líder desaparecido — o mesmo coronel F. X. Sands —, por hotéis baratos da Malásia e rituais macabros na fronteira da Tailândia.
Fanatismos, traição e loucura são mimetizados na prosa polifônica de Denis Johnson, que capta com a mesma intensidade o prosaico — conversas de recrutas bêbados e cartas de mães aflitas — e o poético, no absurdo do invasor que se torna vítima.Cobrindo um arco de sete anos, no período convulsionado que vai do assassinato de Kennedy em 1963 à retirada das tropas derrotadas em 1970 — com um epílogo passado treze anos depois —, Árvore de Fumaça é uma vertiginosa retratação moral, densa e caótica, diante do terror da guerra e dos efeitos do imperialismo.



Fonte: Livraria da Travessa.





ÁRVORE DE FUMAÇA
Autor:
Denis Johnson
Editora: Companhia das Letras
Tradução: Luiz Antônio de Araújo
656 páginas
Preço sugerido: R$ 69,00

Várzea dos Vagalumes"


Então, na manhã chuvosa, capinaram o mato virgem. O terreno irregular os pés ligeiros atrás da bola o-ajeitariam, alegria alada aquela nas infantes almas que saber íntimo tinham da $ombra sobre o sonho deles, $oturna. Eis
o campo, disseram. E o campinho se-fez. E o-chamaram Várzea dos Vagalumes, por causa das muitas estrelas, naquele instante, no teresinense céu. Isso foi no primeiro dia.

Depois proclamaram Façam-se
as traves. E erguidas ei-las, após fincarem, em cada lado e frente a frente, toras de talos de coco, cada gol com duas retas entre si paralelas, a terceira perpendicular a ambas e que elas amarraram, a suficiente altura. Era, isso, o segundo dia.

Aí decidiram Vamos
marcar o campo. E enfiaram três talos dum lado, três do outro, as linhas de fundo e as laterais e a do meio assim assinaladas. Ao longe, o Poti se derramava no Parnaíba. No terceiro dia, isso.

Noite seguinte se-reuniram para apreciar os luzeiros no firmamento do céu azultigrino de Teresina e o campinho sob os luzeiros no firmamento do céu azultigrino de Teresina. E viram que até sem o Sol podiam, se quisessem, jogar. E acharam bonito demais. Isso era o quarto dia.

Aí soltavam pipas, outros costuraram a bola de meia, aind'outros teciam as redes de embira para nas traves, com cadarços velhos, amarrar. E só suspenderam um pouco o sonho quando ouviram Meninos,
hora já a de dormir, vocês. Elas, também, maravilhadas. No quinto dia, isso.

E quando a bola rolou, em meiga manhã de maio de um domingo, acertado estava que nada de juiz, barreiras, impedimentos. E a torcida dançava e cantava e pulava a cada lance, a cada gol, que eram muitos. E mais feliz ninguém ali podia ser, que tudo mais que gostoso, uma delícia. Era, isso, sexto o dia.

Mas eles chegaram, os homens. Aqui
este terreno tem dono, saibam. Mas
abandonado estava, até agora, sem nem muro. Ora
aqui não é casa da Mãe Joana, não. Mas,
major, só mato aqui, antes. Tem
dono, o terreno. E sem mais dizer derrubaram as traves, e chutaram as sinalizações, e empurraram as mulheres, e esmurraram os homens das mulheres, e tomaram, a cacetadas, as baladeiras todas, e quando os cães adestrados, por algum motivo secreto, se-recusaram a avançar, veio a Polícia Montada que, mesmo os cavalos as patas malequilibradas sobre as petecas multicores de toda parte atiradas eram, defendeu, briosamente, a propriedade. Diz
que de uma Igreja o terreno, sussurrava-se. E nem atentaram os bilinguins que de miúdos olhos as lágrimas, em filetes, desciam, eles apenas curumins pobres que no regaço das mães se-lançaram e se-viram, enfim, (a)colhidos. No sétimo dia, isso.

Mas quando, semana depois, pela Noite parida Manhã outra veio, o baldio terreno nas vagamundanças de Genésio descoberto foi, ele um negrinho entanguido que não raro anda às cambalhotas, mãos no chão, pés no ar. Então, sob chuva intermitente, os meninos capinaram o mato virgem...


* Conto extraído do Confraria Tarântula, publicado em 2009, janeiro, 24.

1º Festival do Júri Popular


Teresina (Sala Torquato Neto) sediará, de amanhã e até o dia 8, simultaneamente com outras 17 capitais (Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis, Vitória, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Goiânia, Aracaju, Macapá, Fortaleza, São Luís, João Pessoa e Belém), o 1º Festival do Júri Popular.
O Comitê de Seleção Festival, formado por Ines Aisengart (RJ), Luisa Marques (CE), Maria Flor Brazil (SP), Mariana Pinheiro (MG) e Angelo Defanti (RJ), selecionou os seguintes curtas:

Mostra Competitiva:
- A Armada – O Outro Lado do Descobrimento, de Ric Oliveira, SP;
- A Cidade Cargueiro, de Aline Frey, BA;
- A Espera, de Fernanda Teixeira, RJ;
- A Garrafa do Diabo, de Fernando Coimbra, SP;
- A Mulher Biônica, de Armando Praça, CE;
- Beijo Francès, de Paulo F. Camacho, RJ;
- Bibliofagia, de Renato Cunha, DF;
- Blackout, de Daniel Rezende, SP;
- Cães, de Adler "Kibe" Paz e Moacyr Gramacho, BA;
- Café com Leite, de Daniel Ribeiro, SP;
- Casa de Máquinas, de Daniel Herthel e Maria Leite, MG;
- Cidade do Tesouro, de Célio Franceschet, SP;
- Clinch, de Estevan Santos, SP;
- Coda, de Marcos Camargo, SP;
- Eu e Crocodilos, de Marcela Arantes, SP;
- Hiato:, de Vladimir Seixas, RJ;
- Landau 66, de Fernando Sanches, SP;
- Loucos de Futebol, de Halder Gomes, CE;
- Minami em Close-up, de Thiago Mendonça, SP;
- Minha Tia, Meu Primo, de Douglas Soares, RJ;
- Muito Além do Chuveiro, de Poliana Paiva, RJ;
- Nem Marcha Nem Chouta, de Helvécio Marins Jr., MG;
- No Tempo de Miltinho, de André Weller, RJ;
- Noite de Serão, de Fernando Secco, RJ;
- O Guarani, de Cláudio Marques e Marília Hughes, BA;
- O Guardador, de Diego Benevides, PB;
- O Vampiro do Meio-Dia, de Anita Rocha da Silveira, RJ;
- Olhe Para Nós, de Felipe Barros e Luise Weiss, SP;
- Os Sapatos de Aristeu, de Renè Guerra, SP;
- Passo, de Alê Abreu, SP;
- Poliedro, de Felipe Moraes, SC;
- Pretinho Babylon, de Cavi Borges e Emílio Domingos, RJ;
- Que Cavação é Essa?, de Estevão Garcia e Luís Rocha Melo, RJ;
- Retratos da Vó Ana, de Patrícia Francisco, SP;
- Saltos, de Gregório Graziosi, SP;
- Superbarroco, de Renata Pinheiro, PE;
- Tarabatara, de Julia Zakia, SP;
- Terra, de Sávio Leite, MG;
- Tira os Óculos e Recolhe o Homem, de André Sampaio, RJ;
- Um Dia Bom Para Nadar, de Jose Eduardo Limongi, RJ;
- Voltage, de William Paiva e Filippe Lyra, PE; e
- X Coração, de Lisandro Santos, RS.

Mostra Hors-Concours:
- Dossiê Rê Bordosa, de César Cabral, SP - Vencedor do Júri Popular no Festival do Paraná 2008,no Curta Cinema 2008, no Festival de Paulínea e no Festival de Curtas de BH 2008 (empate);
- Dreznica, de Anna Azevedo, RJ - Vencedor do Júri Popular no Cine-PE 2008;
- Câmara Viajante, de Joe Pimentel, CE - Vencedor do Júri Popular nas Mostras de Tiradentes 2007 e de Londrina de 2008;
- Romance.38, de Vinícius Casimiro e Vitor Brandt, SP - Vencedor do Júri Popular no FBCU 2008;
- Engano, de Cavi Borges, RJ - Vencedor do Júri Popular no Curta-SE 2008, Rec 2008 e no Putz 2008; e
- Os Filmes que Não Fiz, de Gilberto Scarpa, MG - Vencedor do Júri Popular no Festival de Curtas de BH 2008 (empate) e no Primeiro Plano 2008.

Os filmes da mostra competitiva concorrerão nas seguintes categorias: Grande Prêmio, Melhor Ficção, Melhor Documentário, Melhor Animação, Melhor Experimental, Melhor Direção, Melhor Roteiro, Melhor Fotografia, Melhor Montagem, Melhor Trilha Sonora, Melhor Ator e Melhor Atriz.
O Grande Prêmio receberá uma nova cópia em 35mm do CTAv (caso seja 35mm), Prêmio-Aquisição Porta Curtas, Prêmio Distribuição Curta o Curta e outros prêmios em serviços ainda em negociação. O Prêmio de Melhor Fotografia receberá 5 latas Kodak 16mm.



Fonte: 1º Festival do Júri Popular.