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setembro 04, 2011

O que é que é isto?


Foto de autoria não identificada.
Após um telefonema ou uma visita de Achilles, o Zé da Égua, imagino que não mais me procurará. Assim pensei depois que, saindo de minha casa, sem me olhar, levantara o braço e, com a mão fechada, fizera rijo o dedo médio, e abrira a porta, como noticiado aqui.
Pois o Achilles  voltou a me procurar, anunciado por Luís, porteiro do prédio em que moro. Avisei que iria ao seu encontro em seguida. Quis, em verdade, além de abreviar o encontro, estar com testemunhas para o caso de ofender-me, achando que talvez uma ação por danos morais pudesse afastá-lo.
Depois de cumprimentá-lo, com rigor protocolar, disparou: "o Kenard Kruel espinafrou o SALIPA.  Tá sabendo?"  Diante do meu silêncio, continuou: "Reclamou da falta de mobilização da organização do evento; da falta de apoio para os convidados e achou que tinha pouco gente na sua palestra. O Cineas Santos deve ter ficado como bem-te-vi em defesa de seu território". Estou sabendo que não é verdade, disse-lhe. Acrescentei que o próprio Kruel negara as críticas, e exigira retratação, em post veiculado em seu blog. E ele: "Será?" A dúvida, meu caro, no caso, disse-lhe rispidamente, é inaceitável. Conheço KK. E levantei-me, pronto para me retirar. O Zé da Égua deteve-me segurando meu pulso: "Calma. Não vamos discutir por isso. Aliás, o assunto que me traz aqui é outro". E se talvez o assunto fosse o congresso do Partido dos Trabalhadores, e defendesse, com convicção, que José Dirceu é guerreiro do povo brasileiro, pensei: será que Luís testemunharia contra mim? Melhor ter pedido para ele subir ao apartamento.
"Não vi uma única nota em teu blog sobre o protesto dos estudantes contra o aumento da passagem de ônibus. Também tu não usa ônibus, né?" Falei que, se ainda acompanhasse o meu blog, teria notado que não tenho postado tanto assim; que andava ocupado. "Mas nem mesmo um tweet?" O que é isto, companheiro, perguntei-lhe. E arrematei: também não vi nada sobre o evento em seu blog. Ele sentiu o golpe. E buscou abreviar o encontro: "quis trazer pra você esta foto. O que Elmano Ferrer e seus próceres estão fazendo? Olha bem." Parece Tai Chi Chuan. Ele sorriu: "Se for... e administração do alcaide tiver semelhança com os exercícios, coitada de Teresina. Mais parece ensaio para carnaval fora de época." Sorri. Em uma única vez, nos últimos tempos, dei razão ao Achilles.
Ele estendeu-me a mão e se despediu. Iria deixar umas cenouras orgânicas para um companheiro. Além do mais, queria conversar com ele sobre o congresso do PT. Acompanhei-o ao portão. Quando já em sua velha F-1000, após olhar a foto novamente, gritei-lhe: ei, pode ser ensaio de rappers.      



março 05, 2011

Um palco para Emir Sader

 

02_MVG_pais_sader_Foto: Monica Imbuzeiro.

A semana iniciou-se com o sociólogo Emir Sader mostrando, mais uma vez, como pretendia transformar a Fundação Casa de Rui Barbosa, no Folha de São Paulo de domingo, 27. Aproveitou a oportunidade para estocar a ministra da Cultura, confiando, que, talvez pelos serviços prestados ao Partido dos Trabalhadores, tinha maior poder de fogo do que a irmã de Chico Buarque. Não tinha. Emir Sader caiu em desgraça e a sua indicação para a presidência da Fundação Casa de Rui Barbosa subiu no telhado.   Foi o bastante para o intelectual emitir comunicado atribuindo a setores que detiveram durante muito tempo o monopólio na formação da opinião pública reação brutal, típica da direita brasileira, às suas propostas, acrescentando que, Paralelamente, o MinC tem assumido posições das quais discordo frontalmente, tornando impossível para mim trabalhar no Ministério, neste contexto. Quis parecer que recusara o convite, além, é claro, de atribuir responsabilidade ao Folha de São Paulo.

Não foi bem assim. Emir Sader, até que a ministra da Cultura sinalizasse irritação com o seu despautério em declaração publicada no diário paulista de domingo, estava firme na disposição de dirigir a Fundação Casa Rui Barbosa, sem apontar a menor incompatibilidade capaz de repelir o convite para assumir o cargo – o Estado de São Paulo, aliás, mencionou que na terça-feira, 1º, à noite, ao conversar por telefone com a irmã de Chico Buarque, o sociólogo ainda acreditava que seria nomeado para presidir a Fundação Casa Rui Barbosa. O certo é que a irmã de Chico Buarque não gostou  de ser chamada de autista. Por isso a nota da ministra da Cultura:

Comunico que o senhor Emir Sader não será mais nomeado presidente da Fundação Casa de Rui Barbosa. O nome do novo dirigente será anunciado em breve.

Ana de Hollanda
Ministra de Estado da Cultura

De fato, o cientista política Wanderley Guilherme dos Santos assumirá a presidência da Fundação Casa de Rui Barbosa, como anunciado no site do ministério.

Não é justo, contudo, que Emir Sader atribua à direita a sua derrocada. A entrevista, concedida ao Folha de São Paulo,  – aperte aqui e ouça-a – evidencia que o intelectual, desenvolto, falou o que queria, e sem pedir que determinada assertiva não fosse publicada. Morreu pela língua? Que nada!   

Os sectários de Emir Sader não precisam reclamar da direita. O intelectual, depois de defenestrado da Fundação Casa de Rui Barbosa, e antes mesmo de aboletar-se no cargo que lhe destinavam, já tem palco, e mais apropriado, para as propostas alardeadas: a Casa de Lula, ou qualquer que seja o nome do instituto que o ex-presidente pretende instalar, como noticiado no blog Bastidores do Poder, de Josias de Souza..