CADÊ?

março 03, 2009

LITERATURA BRASILEIRA DE AUTORES PIAUIENSES: a falta que uma Crítica Militante faz*

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Por Airton Sampaio


Creio que um dos motivos do desconhecimento e dos muitos equívocos que grassam feito praga sobre a Literatura Brasileira de Autores Piauienses (LBAP) é a quase ausência, ao longo dos duzentos anos de sua história (a completar-se em 2008, quando se atingirá o bicentenário da edição de “Poemas”, de Ovídio Saraiva), de uma crítica literária militante. Sem essa necessária mediação entre o autor, a obra publicada e o leitor não-especializado, a LBAP fica travada, sem maiores questionamentos e sem abalizados e orientadores juízos de valor.
No Piauí, a crítica literária sempre foi avulsa e aperiódica, incontumaz e não militante. Para piorar a situação, se emprenhou de compadrio, sendo raro o reconhecimento do valor estético da obra de um autor nos textos críticos de alguém a cuja confraria, igreja ou panela o coitado não pertença, o que se dá, infelizmente, até nas formulações do melhor crítico que hoje o Piauí possui, o ensaísta Ranieri Ribas, apesar da sua linguagem empolada e impenetrável. Ademais, sublinhe-se que qualquer crítica, mesmo fundamentada e exclusivamente dirigida à obra, mas que saliente elementos negativos, provoca no criticado uma reação costumeiramente irada, habitus que afasta da militância desse gênero de prosa até os mais preparados para exercê-lo.
Ponha-se também esse débito de uma crítica literária teoricamente capacitada no passivo do Curso de Letras da Universidade Federal do Piauí, cujo cinqüentenário de instalação no Estado ocorrerá no próximo ano. Ora, chega a estarrecer, ressalvadas as exceções de praxe, que professores de literatura brasileira desse Curso tenham feito e façam dissertações de mestrado e teses de doutoramento sobre autores não-piauienses, muitos com fortunas críticas já avantajadas, num franco descompromisso com a realidade local, a que a Universidade deveria estar umbilicalmente ligada.
Não se trata de obrigar a quem quer que seja a escrever sobre fatos literários locais, mas é lamentável a inexistência, em Letras da Ufpi, de uma DIRETRIZ BÁSICA de pesquisa que INCENTIVE à OPÇÃO POLÍTICA pela realização de estudos que enfrentem os problemas da realidade piauiense. Do jeito que é, a depender unicamente da vontade pessoal, pode-se dissertar até sobre a cor branca na obra de um, digamos, simbolista catarinense, olvidando-se, talvez por ignorância, a poética de um Jonas da Silva. Frise-se, também com exceções de praxe à parte, que o Mestrado Acadêmico em Letras do CCHL da UFPI parece seguir pela mesma trilha, embora, a exemplo da Uespi, com menos desvios temáticos.
Um mineiro dedicará tempo e dinheiro público ao estudo de um autor piauiense? Aqui, porém, nos damos o LUXO de gastar dinheiro público e tempo com autores mineiros. Um gaúcho, então, o fará? Ou um carioca? É claro, pelo menos em regra, que não. Enquanto isso estão aí, à espera de abordagens medianamente categorizadas, poetas como Paulo Machado, cronistas como Cineas Santos, contistas como Carlos Castelo Branco, romancistas como Esdras do Nascimento, dramaturgos como Gomes Campos. Com todo esse MANANCIAL, o que justifica dispender energias com o estudo, por exemplo, de um escritor paranaense? Não se trata, como decerto entenderão os contumazes provocadores de equívocos, de miopia analítica ou mero bairrismo, mas da VINCULAÇÃO NECESSÁRIA da Universidade Federal do PIAUÍ à realidade em que está inserida.
É óbvio que, no dia em que nossos escritores mais significativos estiverem com FORTUNAS CRÍTICAS MINIMAMENTE ASSENTADAS (no caso do nosso magnífico Poeta Ecumênico, contribui agora para isso o recém-editado e excelente ensaio do professor João Kennedy Eugênio, Os Sinais do Tempos: intertextualidade e crítica da civilização em H. Dobal), nesse dia então é claro que podemos serenamente nos dar o luxo de empenhar energia, tempo e dinheiro público no estudo de autores, nem sempre relevantes, de além-Piauí, como por exemplo o antivanguardista atávico Affonso Romano de Sant´Anna, que não alcança, marketing à parte, o valor estético de um cronista e poeta como o oeirense Rogério Newton (a propósito, leiam, de Rogério Newton, “Ruínas da Memória“, 1994, “Pescadores da Tribo”, 2001, “Último Hound”, 2003, e “Conversa Escrita n´Água”, 2006).
Até! 


* Artigo publicado no Diário do Povo, caderno Galeria, seção Cultura, pág. 18, da edição de 2007, maio, 29, e veiculado no site Usina de Letras.

LITERATURA BRASILEIRA DE AUTORES PIAUIENSES: uma definição necessária *


Por Airton Sampaio


Admito que por longo tempo utilizei, equivocadamente, as denominações Literatura Brasileira de Expressão Piauiense e Geração Pós-69. Hoje tenho como adequadas as nominações GERAÇÃO DE 1970, esta assim corretamente chamada por José Pereira Bezerra e Adrião Neto, e LITERATURA BRASILEIRA DE AUTORES PIAUIENSES, esta acertadamente assim designada no currículo do Curso de Letras da Universidade Federal do Piauí. É que enfim me dei conta da impossibilidade de definir-se o que seja “expressão piauiense” (livros como o interessante Grande Enciclopédia Internacional de Piauiês, de Paulo José Cunha, podem até ser alardeados nesse sentido, jamais porém servirão a isso) e, ao contrário, consciência também tomei da plausabilidade de se dizer, de modo não raro objetivo, o que é um Autor Piauiense (o que, no caso de naturalidade, por exemplo, é de uma obviedade ululante).
((A denominação Geração Pós-69 só tinha algum significado para se dizer, ainda que não adequadamente, de um conjunto de atores culturais impactados principalmente por dois profundos eventos históricos: a chegada do homem à Lua, em 20 de julho de 1968, responsável pela mudança de muitos paradigmas, e a edição, pelo governo militar, do AI-5, em 13 de dezembro do mesmo ano, início formal, que fato já o era, da hiper-repressão política no Brasil, consolidadora da escuridão democrática que desde 1964 grassava neste ainda hoje “país do futuro”. No entanto, como uma crítica ácida que foi, no plano estético, do academicismo, na dimensão comportamental, da caretice, e na esfera política, de todos os governos, a Geração Pós-69 só poderia ainda assim ser chamada, com certa condescendência, em razão de sua fundamental atitude comportamental freqüentemente anárquica, de sua histórica contestação às Academias de Letras (no Piauí, Alcenor Candeira Filho desferiu-lhe um covarde primeiro golpe ao entrar para a APL, deslumbrado com a “imortalidade” por ela “conferida”) e às suas diatribes à ditadura militar e demais governos civis a ela sucedâneos (Sarney, Itamar, Collor, FHC) se não tivesse caído, como vergonhosamente caiu (eis o segundo não menos covarde golpe), nos braços nada éticos e pouco realizadores dos governos do PT de Lula lá e W. Dias cá, cujos projetos de perpetuação no poder, a fim de exercer o poder pelo poder, baseiam-se em ações eleitoreiro-assistencialistas (Fome Zero, Bolsa-Família, etc) raivosamente atacadas pelo petismo quando pelos outros praticadas.))
Literatura Brasileira de Autores Piauienses? Ora, LITERATURA BRASILEIRA DE AUTORES PIAUIENSES é um conjunto assistêmico (no plano local, as estéticas clássica, barroca e árcade, no século 19) e sistêmico (idem, as estéticas romântica, realista/naturalista/ parnasiana e simbolista, nos séculos 19 e 20, pré-modernista e modernista, no 20 e 21, e pós-moderna, no 21) de obras eminentemente literárias cujos autores exibem o(s) vínculo(s) de NATURALIDADE (por exemplo, Permínio Asfora, que nasceu aqui porém se radicou na Paraíba e em Pernambuco, Mario Faustino, no Pará e Rio de Janeiro, Esdras do Nascimento, no Rio de Janeiro, etc), Não-naturalidade mas MILITÂNCIA LITERÁRIA NO PIAUÍ (casos de Hardi Filho, um cearense, Rubervam du Nascimento, um maranhense, Jamerson Lemos, um pernambucano, etc) e Não-naturalidade e não-militância literária mas EMPATIA TEMÁTICA COMO O PIAUÍ (caso de Odylo Costa, filho,um maranhense --- vide “Histórias da Beira do Rio”). Daí que a tradicional nominação Literatura Piauiense, apesar da vantagem da síntese, traz o grande demérito de descontextualizar a literatura feita no ou para o Piauí da Literatura brasileira, de que é, na verdade, uma de suas manifestações específicas, devendo, pois, ter seu uso questionado.
Destarte, qualquer que seja o autor de obra eminentemente literária --- assim considerada aquela que se caracteriza pela predominância da FICCIONALIDADE e ESTILIZAÇÃO DA LINGUAGEM --- que cumpra o vínculo de Naturalidade ou, mesmo não o cumprindo, faça-o em relação a um ou outro dos demais (Não-naturalidade mas Militância Literária no Piauí ou Não-naturalidade e não militância literária mas Empatia Temática com o Piauí), integra o que se pode singularmente denominar Literatura Brasileira de Autores Piauienses. Como se vê, apenas o terceiro vínculo padece de maior subjetividade avaliativa, o que não se dá com o primeiro, totalmente objetivo, nem com o segundo, pouco subjetivo.
Até! 


* Artigo publicado no Diário do Povo, caderno Galeria, seção Cultura, pág. 18, da edição de 2007, março, 15, e veiculado no site Usina de Letras.

Impressões de um leitor: Marcas da ditadura no Piauí

Capa: Daguia Rodrigues

Os fatos relacionados ao regime militar, iniciado com a deposição de João Goulart, ocorridos no Piauí, ainda não foram servidos à sociedade, de maneira satisfatória, por quem se propõe a fazê-lo. Lembro-me de que, em minha primeira postagem, neste blog, referi-me, decepcionado, ao Tempo de contar, de Jesualdo Cavalcanti, porque supus tratar-se de livro sobre o período negro iniciado em 1964 do Piauí, como impresso em sua contracapa, e ali encontrei as memórias do autor.
Marcas da ditadura no Piauí, de Deoclécio Dantas, não é, definitivamente, a resposta  esperada para se ter, pelo menos, um painel histórico do período ditatorial no Estado do Piauí. E nem tem este propósito, posto que, como nele mencionado, é constituído por  artigos veiculados no Diário do Povo.  Mas, certamente, é um bom começo...


P.S.: A foto de Deoclécio Dantas, extraído do site de Clementino Siqueira, é de autoria não identificada.

março 02, 2009

Coleguinha

Foto de autoria não identificada.

 
Vejo na Ilustrada, Folha Online, noticia de que Sharon Stone, depois escrever  vários contos, está à procura de uma editora para publicá-los.
Segundo o site da Foxnews, diz a nota, as histórias escritas não são autobiográficas, nem sobre a indústria do cinema. Os contos, revelou-se, são de mistérios e suspenses.
Lembra o diário paulista que a carreira agora perseguida por Sharon Stone é a mesma profissão da personagem que a tornou famosa: Catherine Tramell, uma escritora de livros de mistério que também é uma assassina em "Instinto Selvagem" (1992).

Infância*

Foto: Patrícia Basquiat
* Postagem extraída do blog Arte no ar..., veiculada em 2008, novembro, 12.