CADÊ?

agosto 13, 2008

Impressões de um leitor: ela e outras mulheres

É anunciado na contracapa de Ela e outras mulheres que, Em vinte e sete contos breves, Rubem Fonseca põe em foco personagens femininas que surgem ora como vítimas, ora como algozes; sempre criaturas fascinantes e imprevisíveis. São histórias cheias de violência, vingança, desejo e pequenas obsessões, em que as mulheres definem o destino dos homens. E aí eu, incauto, relembrando o vigor de Rubem Fonseca em Lúcia McCartney, Feliz Ano Novo e O Cobrador, por exemplo, compro o livro, e, tchan!, decepciono-me. Rubem Fonseca envelheceu e está impaciente. Talvez tenha como alter ego não mais um advogado sagaz, como Mandrake, mas, sim, Julie Lacroix, uma das personagens do livro, escritora que, não gostando de escrever, tem com único propósito vender livros. A impressão que tenho, com Elas e outras mulheres, é que Rubem Fonseca já não se preocupa com as palavras. Quer apenas construir estórias, ainda que banais, com desenvolvimentos primários a ponto de, logo no princípio da leitura, antever-se o desfecho.
O conto que inicia o livro - Alice - é banal, e, sem esforço, desde o início da trama, com a introdução da personagem título, já se sabe que o filho do narrador deixará a gaguice à custa de sexo, muito sexo, tema comum do festejado escritor. Como a violência. Quis largar o livro, mas pensei: o melhor vem depois.
Até mesmo personagem comum na obra do autor, como o matador de aluguel, não tem o viço dos personagens de outrora, movido que é, quase sempre, por sentimentos altruístas.
Diana, em que a personagem, movida pelo desejo de sexo casual, violento, é morta por desconhecido, por asfixia, antecido por gozo nunca antes experimentado, é o que melhor lembra Rubem Fonseca de então.
Ela e outras mulheres, definitivamente, não precisava vir para minha estante.

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